Seleção Pública de Projetos Esportivos Educacionais

terça-feira, 11 de junho de 2013

Incentivando a prática do esporte na infância

Antes as crianças corriam na rua, jogavam bola, soltavam pipa, brincavam de pega-pega. Hoje a coisa é bem diferente, a criançada em sua maioria quando não está na escola, fica dentro de casa, e tem como entretenimento a TV, o videogame. Para diminuir a intensidade desse hábito, os especialistas aconselham que os pais incentivem seus filhos a praticar algum esporte. Além de se exercitarem, podem ter ainda outros benefícios como: risco menor de obesidade, desenvolvimento da auto-estima, do sentido de cooperação, dentre outros.

Especialistas da área de educação física acreditam que uma criança de cinco anos pode praticar uma atividade. Mas com uma observação: nessa faixa etária o exercício deve ser
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considerado como forma de ampliar as brincadeiras. A disciplina é mais exigida somente a partir dos sete anos.

Nesse estágio, é recomendável que a criança experimente diversas modalidades. É importante também que os pais não lancem suas expectativas em relação ao filho se tornar um profissional, visto que o esporte nessa idade deve ser encarado para o desenvolvimento da criança e não como uma pressão. Além disso, os especialistas apontam que a prática de um único esporte durante a faixa etária dos sete aos doze anos prejudica o desenvolvimento da criança.

Todo esporte proporciona benefícios à criança. Entretanto, alguns propiciam qualidades específicas, como por exemplo, aqueles que desenvolvem mais o sentido de cooperação, como é o caso do futebol, do basquete e do handebol. Já as lutas marciais, trabalham mais o equilíbrio emocional.

Caso a criança não apresente interesse aos esportes, cabe aos pais moderar os hábitos sedentários, diminuindo o tempo que o filho passa na frente da TV e do computador. Assim, a criança terá maiores chances de participar de brincadeiras onde há interação com outras.
Por Patrícia Lopes
Equipe Brasil Escola





Fonte: Brasil Escola

VACINAÇÃO INFANTIL

Gabriel Oselka é médico, professor de Pediatria na Universidade de São Paulo e presidente da Comissão de Imunizações da Secretária de Saúde do Estado de São Paulo.



Imagem: Internet



As vacinas foram criadas para ensinar o sistema imunológico a reconhecer agentes agressores que podem provocar doenças, assim como para ensiná-lo a reagir produzindo anticorpos capazes de combatê-los. Na preparação das vacinas, pode ser utilizado um componente do agente agressor, ou seja, o próprio agente agressor numa forma atenuada, ou morto, ou outro agente que seja semelhante ao causador da doença.
No Brasil, um dos programas de maior sucesso do Ministério da Saúde é o Programa Nacional de Imunizações. Pode-se dizer, hoje, que a imensa maioria das crianças brasileiras recebe regularmente vacinas contra quase todas as doenças graves. A eficiência desse programa chegou a tal ponto que certas enfermidades desapareceram por completo ou estão desaparecendo das clínicas médicas e hospitais. A poliomielite é um exemplo indiscutível de doença que desapareceu do cenário nacional graças a esse programa de imunização.
PRIMEIRAS VACINAS
Drauzio – O Programa Nacional de Imunizações recomenda que a vacinação comece muito cedo. As primeiras vacinas devem ser dadas ainda na maternidade?
Gabriel Oselka – A ênfase do Programa Nacional de Imunizações é exatamente essa, que a vacinação comece na maternidade com duas vacinas: a BCG, vacina contra a tuberculose, e a vacina contra hepatite B.
São vacinas injetáveis. A BCG é aplicada por via intradérmica e a vacina contra hepatite, no músculo da coxa do bebê.
Drauzio – Todas as crianças brasileiras recebem essas duas vacinas?
Gabriel Oselka – Eu diria, sem receio de errar, que o sucesso alcançado pelo Programa Nacional de Imunizações se deve, entre outras razões, ao número elevadíssimo de coberturas vacinais. Cobertura vacinal significa a porcentagem de crianças que efetivamente recebe as vacinas. No caso específico da BCG e da vacina contra a hepatite B, bem mais de 90% das crianças são vacinadas contra essas doenças no Brasil.
Drauzio – E as crianças que nascem em casa nesses rincões do Brasil, como se garante que serão vacinadas?
Gabriel Oselka  Felizmente, esses casos têm sido reduzidos substancialmente ao longo dos anos. Quando a vacina não é feita na maternidade, a recomendação é que a criança seja levada o mais depressa possível a um centro de vacinação para receber as doses iniciais e que o programa sequencial de vacinação seja mantido.
Drauzio – Quando a mãe sai da maternidade com o bebê, pode ficar tranquila porque o bebê já tomou essas duas vacinas?
Gabriel Oselka – Infelizmente não é tão simples assim, porque nem todas as maternidades adotam a conduta de vacinação nos primeiros dias de vida da criança. Eu diria que esse é um objetivo de médio prazo para o Ministério da Saúde. Por isso, cabe às mães a iniciativa de perguntar se a criança tomou ou não as duas vacinas. Embora essa informação devesse fazer parte da rotina dos hospitais, nem sempre ela é fornecida.
Portanto, repito: se a criança não tomou as vacinas na maternidade, deve ser levada com uma ou duas semanas de vida a um posto de saúde para que o programa de vacinação seja iniciado logo.
Drauzio – Vamos admitir que a criança tenha tomado as vacinas contra a tuberculose (BCG) e contra a hepatite B na maternidade. Quando deve tomar as doses de reforço?
Gabriel Oselka – No Estado de São Paulo, BCG é dado em dose única, mas em muitos outros estados recomenda-se a aplicação de uma segunda dose na idade escolar, ou seja,  a partir dos 6 ou 7 anos até os 10 anos de idade.
Em relação à vacina contra a hepatite B, são necessárias mais duas doses para garantir o efeito desejado: a segunda aos dois meses e a terceira aos seis meses. Esse esquema de três doses tem validade por toda a vida, isto é, a proteção da vacina contra hepatite B é definitiva.
ESQUEMA DE VACINAÇÃO
Drauzio – Quais são as outras vacinas que a criança deve tomar nesse começo de vida?
Gabriel Oselka – A sequência do esquema de vacinação envolve, aos dois meses de idade, a vacina tetravalente, que consta da vacina tríplice contra difteria (ou crupe), coqueluche (ou tosse comprida) e tétano e que já é aplicada há décadas no Brasil, e da vacina contra a bactéria chamada Haemophilus influenzae, pouco conhecida pela população e mesmo pelos médicos, mas que causa doenças graves, como meningite e pneumonia, em criança pequena. Essa vacina foi acrescentada recentemente ao programa de vacinação e é aplicada junto com a tríplice numa única injeção. Geralmente nesse mesmo dia, a criança recebe a vacina Sabin contra a poliomielite, a famosa gotinha dada por boca.
A proteção que essas vacinas oferecem não se completa na primeira dose. São necessárias doses adicionais. A vacina tríplice requer mais duas doses no primeiro ano de vida, aos quatro e aos seis meses, um reforço quando a criança tem um ano e meio e outro por volta dos cinco anos.
Quanto à vacina contra o Haemophilus influenzae, o programa brasileiro prevê apenas a aplicação de três doses: a primeira aos dois meses, a segunda aos quatro e a terceira aos seis meses.
Em relação à vacina oral contra a poliomielite, ela segue o mesmo esquema da tríplice: a segunda dose aos quatro meses, a terceira aos seis meses, um reforço com um ano e meio e último aos 5, 6 anos.
Drauzio – Os pais das crianças precisam ter esse cronograma na cabeça?
Gabriel Oselka – Não precisam, mesmo porque o esquema não se limita a isso. Há outras vacinas. O serviço de saúde conta com diferentes mecanismos para lembrar as pessoas de que as vacinas têm uma sequência a ser obedecida. Apesar disso, às vezes, a data prevista para a vacinação é perdida. Nesse caso, é importante frisar que as doses anteriores não perdem a validade. Por exemplo: foi dada a dose inicial das vacinas tetravalente e da Sabin aos dois meses de idade. A segunda dose deveria ter sido dada aos quatro meses, mas, por uma razão qualquer, a mãe só pôde levar a criança ao posto quando tinha oito meses. Nesse momento, ela tomará a segunda dose e será marcada a data para aplicar a terceira. Um atraso pequeno não interfere no processo. Quando a criança completar o número de doses recomendado, a imunização provavelmente será tão boa quanto seria se os intervalos entre uma aplicação e outra tivessem sido respeitados.
OUTRAS VACINAS IMPORTANTES
Drauzio – Além das vacinas BCG, contra a hepatite B, da tetravalente e da Sabin, a criança deve receber outras vacinas?
Gabriel Oselka – Nas regiões consideradas endêmicas, ou seja, onde a doença existe e ocorre sistematicamente (regiões Centro-Oeste e Norte, no Estado de Minas Gerais e em algumas poucas localidades de outros estados brasileiros), a recomendação é fazer a vacina contra a febre amarela a partir dos nove meses de idade. Em alguns lugares, ela é feita quando a criança tem por volta de um ano. Embora se acredite que a proteção que determina seja de mais longa duração, recomenda-se que a vacina contra a febre amarela seja repetida a cada dez anos.
Faz parte também do programa de vacinação infantil uma vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola, importante não só por sua eficácia, mas também pela gravidade das doenças que pretende proteger, particularmente o sarampo que até alguns anos atrás era o principal agente infeccioso causador de mortes em crianças. Essa doença está tão controlada que as gerações mais jovens, num futuro próximo, talvez nem saibam que doença é essa nem os danos que pode causar.
Drauzio – Não faz muito tempo, o sarampo era considerado uma doença banal que acometia as crianças.
Gabriel Oselka – Era considerada banal, embora seja potencialmente uma doença muito grave a ponto de, não faz muito tempo, ser a principal causa de morte nas crianças brasileiras, o que acontece ainda hoje em muitas regiões do mundo.
No Brasil, a vacinação contra o sarampo obteve um resultado extraordinário. Desde o ano 2000, não há registro de casos da doença adquirida no país. Os pouquíssimos que existem foram adquiridos no exterior. Se me dissessem, há dez anos, que isso iria acontecer, eu não acreditaria.
Drauzio – Na minha geração, sarampo era uma doença praticamente obrigatória nas crianças.
Gabriel Oselka – A doença é tão contagiosa – essa é uma das características do sarampo – que era praticamente certo que a criança teria sarampo antes de chegar à puberdade.
Drauzio – Você acha que vamos eliminar o sarampo do cenário nacional com esse programa de vacinação?
Gabriel Oselka – Acredito que sim. O sarampo tem uma característica que permite sua eliminação. Ele só acomete seres humanos, ou seja, não existem reservatórios em animais ou na natureza que abriguem o agente infeccioso. Isso significa que, se conseguirmos proteger as pessoas, a doença poderá ser erradicada.  É o que aconteceu com a varíola e está acontecendo com a poliomielite no Brasil.
Nas Américas, o controle do sarampo é muito efetivo e, embora existam muitos casos no mundo, acredito que será possível controlá-lo completamente.
Drauzio – Em que idade deve ser administrada a vacina contra sarampo, rubéola e caxumba?
Gabriel Oselka – A partir de um ano de idade. Em 2003, o Ministério da Saúde recomendou que a segunda e última dose, fosse dada por volta dos cinco anos, ou um pouco antes, para garantir que as pouquíssimas crianças que não se protegeram com a primeira dose tenham uma segunda chance para defender-se contra essas doenças.
Essa decisão foi tomada porque ainda não existe vacina que seja totalmente eficaz. Embora estejamos muito perto de consegui-la, não há garantia absoluta de que a pessoa vacinada não contraia a doença, se entrar em contato com o micróbio causador da enfermidade.
HORA DO REFORÇO
Drauzio – Que vacinas devem ser administradas depois que a criança fez um ano?
Gabriel Oselka – Depois dessa idade, é preciso fazer alguns reforços como o da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola aos cinco anos e o da tríplice, quando a criança tem um ano e meio e, mais tarde, aos cinco anos. Em relação à poliomielite, feito o reforço dos cinco anos, não há mais necessidade de repeti-lo.
Recomenda-se também o reforço da vacina dupla contra difteria e tétano a cada dez anos. Portanto, quem seguiu rigorosamente o esquema terá feito um reforço aos cinco anos e deve repeti-lo aos 15, 25, 35, e assim sucessivamente. A vacina contra a febre amarela também requer doses de reforço a cada dez anos, especialmente nas regiões onde há risco da doença.
Para as outras vacinas do esquema não se recomendam reforços. A da hepatite B, por exemplo, termina com as três doses dadas antes de a criança completar um ano.
VACINAS FORA DO ESQUEMA
Drauzio – Essas vacinas constituem um pacote absolutamente obrigatório para todas as crianças e, felizmente, podemos contar com o Programa Nacional de Imunizações, citado como exemplo no mundo todo, que garante vacinação para a imensa maioria das crianças brasileiras. No entanto, hoje existem vacinas que não fazem parte desse esquema básico. Quais delas você incluiria no Programa?
Gabriel Oselka – Esse é o grande desafio do Programa Nacional de Imunizações que vem progressivamente implantando novas vacinas e ampliando seu espectro de cobertura.
Há alguns anos, foram introduzidas as vacinas contra hepatite B e contra o Haemophilus influenzae. No entanto, existem outras vacinas disponíveis comercialmente que ainda não foram incluídas no esquema. Na verdade, o fator limitante para sua inclusão é a disponibilidade de recursos. São vacinas muito caras e que ainda não são produzidas no Brasil. No momento, o desafio do Programa Nacional de Imunizações é tornar disponível para toda população infantil as vacinas contra o pneumococo, o meningococo C, a varicela ou catapora e contra a hepatite A.
Sem respeitar uma ordem de prioridade, eu citaria a vacina contra o pneumococo, diferente da que se usa em idosos e em pessoas com doenças pulmonares e cardíacas.
Essa vacina poderia ser dada a partir dos dois meses de idade para proteger contra formas graves de doenças causadas por essa bactéria, especialmente meningite e pneumonia. A vacina contra o meningococo C, que também pode ser administrada depois dos dois meses, oferece proteção contra a meningite C.
Além dessas, duas vacinas importantes podem ser dadas a partir de um ano de idade: a vacina contra catapora e a vacina contra a hepatite A, uma doença mais benigna do que a hepatite B, que se adquire em alimentos contaminados e no contato interpessoal.
VACINA CONTRA CATAPORA
Drauzio – Muita gente não sabe que existe vacina contra catapora.
Gabriel Oselka – Muita gente não sabe, mas muita gente sabe e acha que não vale a pena tomar a vacina porque catapora é uma doença benigna. Lamentavelmente, muitos médicos também pensam assim e transmitem esse conceito para seus pacientes.
Embora catapora seja uma doença habitualmente benigna, é impossível prever num caso específico, no seu filho, por exemplo, se a doença vai ser benigna ou não.
Há um mito que de certa forma tranquiliza as pessoas – “Ah, meu filho é bem cuidado, bem nutrido, não vai ter nada disso. Doença grave não é para gente forte como meu filho”.
Quanto engano! Não é assim que as coisas acontecem. Em 2003 e começo de 2004, só no Estado de São Paulo, ocorreram 40 mortes de crianças por varicela, ou catapora, porque a doença ocorre em larguíssimos números todos os anos. Complicações hepáticas, neurológicas e respiratórias podem estar associadas a essa doença. Além disso, as feridinhas banais da catapora podem ser infectadas por bactérias agressivas e produzir uma infecção generalizada gravíssima conhecida por septicemia.
É importante salientar que praticamente todas as mortes causadas pelas complicações decorrentes da catapora poderiam ter sido evitadas se pudéssemos vacinar todas as crianças.
PROTEÇÃO PARALELA
Drauzio – Vacinas contra o Haemophilus influenzae, contra o pneumococo e contra o meningococo protegem as crianças de uma série de infecções menores como otites, amidalites e infecções das vias aéreas superiores?
Gabriel Oselka – Esse é um ponto importante para salientar. O objetivo principal dessas vacinas é proteger contra as formas mais graves da infecção, mas de certo modo elas atuam sobre as formas mais benignas. Talvez o exemplo mais notável seja o da vacina contra o pneumococo, bactéria que também causa otite (inflamação do ouvido). Embora a eficácia de proteção para essa enfermidade não seja a mesma da proteção contra pneumonia e meningite, se conseguirmos reduzir um pequeno porcentual dessas infecções, o impacto na população será enorme.
Isso aparentemente a vacina contra o pneumococo consegue fazer. Ela consegue diminuir a incidência de otite em 6% ou 7% da população. Se lembrarmos que a otite é uma das infecções mais frequentes nas crianças e uma das razões mais importantes para a prescrição de antibióticos, com todas as consequências, inclusive de custo, que isso acarreta, 6% ou 7% de proteção representam um avanço considerável.
GRUPOS ANTIVACINAS
Drauzio – A primeira vez que li que ainda hoje existem grupos contrários à utilização de vacinas, fiquei surpreso. Era como ter encontrado pessoas que são contra a utilização da luz elétrica.
Gabriel Oselka – Felizmente, no Brasil, esses grupos são pouco ativos, mas existem alguns países, particularmente na Europa, em que a atuação dos grupos antivacinas tem representado um problema sério, não para os médicos nem para o serviço de saúde que prescrevem a vacina, mas para as crianças que deixam de ser vacinadas por falsas noções que esses grupos defendem.
O exemplo mais preocupante que se tem no momento é o do Reino Unido, onde se espalhou o conceito de que a vacina combinada, aquela contra sarampo, caxumba e rubéola, seria a causa de autismo, uma doença grave e dramática. Depois que essa afirmação destituída de qualquer base científica foi divulgada pela imprensa leiga e até por alguns médicos que entraram na confusão, surgiram inúmeros trabalhos de grande extensão, realizados em diferentes partes do mundo, mostrando categoricamente que a afirmação é falsa. Entretanto, nos últimos cinco ou seis anos, as coberturas vacinais, que eram elevadíssimas no Reino Unido, caíram muito e estão aumentando os casos de sarampo. As coisas chegaram a tal ponto que o governo se viu obrigado a adotar medidas agressivas para inverter a situação, até agora com sucesso parcial.
Dizer que as vacinas são destituídas de qualquer risco seria uma mentira, uma temeridade. Não há remédio que seja absolutamente inócuo. No entanto, creio que as vacinas utilizadas rotineiramente nos programas de vacinação incluem-se entre os produtos médicos de maior segurança.
Drauzio – É sempre importante repetir que as vacinas são extremamente seguras.
Gabriel Oselka – São extremamente seguras e é muito raro provocarem reações graves. Na verdade, hoje estamos vivendo um paradoxo. As vacinas são de certa forma vítimas de seu próprio sucesso, porque as pessoas acabam perdendo a memória do que as doenças representavam antes de serem controladas pela vacinação e saem por aí dizendo: “Por que vou tomar vacina contra sarampo, por exemplo, já que a doença nem mais existe?”.
Se todos pensarem assim, o sarampo volta e repete o estrago que fazia. E não é só ele. Voltam a tosse comprida e o crupe que eram causa de morte em crianças, mortes que foram evitadas porque se controlou a incidência dessas enfermidades exclusivamente com a utilização das vacinas.
Drauzio – Na minha infância, quando o filho acordava com uma febrícula, queixando-se de dores musculares, as mães ficavam apavoradas, temendo que a criança estivesse com poliomielite. Felizmente, essa neurose desapareceu depois do programa de vacinação em massa contra a paralisia infantil.
Gabriel Oselka – Talvez a paralisia infantil seja a única doença que ainda conserva uma memória coletiva das consequências que provocava, porque as campanhas de vacinação ainda utilizam as imagens dramáticas de crianças que tiveram poliomielite, mas os jovens provavelmente não tenham a dimensão do que o problema representava. Até o começo da vacinação em massa contra a poliomielite em 1980, tínhamos no Brasil mais de mil casos notificados da doença o que sugere existir um número maior de casos não notificados pelo País afora. A utilização da vacina em larga escala nos dias nacionais de vacinação e nos programas rotineiros fez com que a partir de 1889 não houvesse um caso sequer de poliomielite. Não há dúvida de que a doença foi erradicada do Brasil graças à aplicação da vacina.

Fonte: Site Dr. Drauzio Varela

Infância - Fases da Vida

Imagem: Internet

1. Infância

A infância é o período que vai do nascimento ao início da puberdade, por volta dos 10 anos. Nos primeiros anos, a criança começa a falar e aprende atos básicos de locomoção como sentar, engatinhar, andar e correr. É o início do desenvolvimento humano.

A partir daí, vem uma seqüência de mudanças intensas que vão desde a queda dos dentes de leite ao desenvolvimento psicológico e, por fim, à puberdade. Não é à toa que os primeiros anos de vida exigem cuidados especiais, desde o berço. Atenção a eles:


Amamentação

Até o 6º mês, o leite materno pode ser a única fonte de alimentação para o bebê. Ele contém todos os nutrientes de que o bebê necessita, inclusive água, e ajuda na recuperação de doenças. O pediatra deve acompanhar toda esta fase com consultas mensais, até o primeiro ano de vida.


Vacinação

É importante na prevenção, pois estimula defesas contra doenças preveníveis. Veja na caderneta de saúde as vacinas que seu bebê precisa tomar e siga o calendário de vacinação.



Alimentação

Após o 6º mês, a dieta de um bebê começa a variar, com a introdução lenta e gradual de novos alimentos. O pediatra é a melhor fonte de informação no assunto.

  • Entre 5 e 11 anos, é hora de estimular a criança a construir bons hábitos alimentares que o acompanharão pelo resto da vida, evitando doenças como hipertensão arterial e diabetes mellitus.
Dietas saudáveis são variadas e equilibradas com presença de frutas e verduras. Se você tem nutricionista siga as orientações dadas por esse profissional.

Um prato saudável contém:
Verduras e legumes; carboidratos - massas, arroz ou batata; e proteínas - feijão, carne, frango ou peixe. Além disso, para crescer saudável a criança pode precisar de algum complemento vitamínico ou suplemento alimentar que o seu pediatra poderá indicar, quando necessário.

A prática regular de exercícios físicos na infância favorece o crescimento, aprimora a coordenação motora e o convívio social. Mas o esporte deve ser praticado como brincadeira. A criança não deve ser tratada (e nem cobrada) como um superatleta.


Acidentes na infância

Mais de 90% dos casos de acidentes na infância, principalmente, os domésticos, poderiam ser evitados. Para isso:

  • Evite deixar as panelas com os cabos voltados para fora.
  • Mantenha torradeiras, cafeteiras, ferros elétricos, fósforos e isqueiros longe do alcance dos pequenos.
  • Coloque grades nas janelas e portões nas escadas.
  • Use protetor especial para as tomadas e esconda os fios.
  • Evite deixar a criança sozinha em piscinas e em áreas de lazer como lagos e praia. Leve sempre um objeto flutuante.
  • Para evitar ingestão de objetos, procure brinquedos grandes, resistentes sem pontas finas e salientes.

Saúde Ocular e Auditiva

Esteja atenta e consulte o pediatra em caso de dúvidas sobre o assunto. Se for necessário, ele encaminhará seu filho ao oftalmologista ou ao otorrinolaringologista.   





Fonte: Viva Viver 

Educação vem de berço

Sim: é de pequeno que se ensinam limites. Seu bebê já é capaz de absorver as primeiras noções de certo e errado




Texto Cristiane Ballerini e Cynthia Costa

Imagem: Internet

Você tem receio de impor limites ao seu filho pequeno? Muitos pais têm, pois acham que uma postura mais firme pode traumatizar a criança ou deixá-la magoada. Acredite: é justamente o contrário. Como apontam especialistas em psicologia infantil, se os pais deixarem a condescendência de lado e, com sensibilidade, mostrarem ao bebê até onde ele pode chegar, estarão o fazendo se sentir mais amado e mais seguro.

Quando começam a engatinhar e andar, os bebês fazem do mundo um verdadeiro laboratório. E, como pequenos cientistas, testam todas as hipóteses incansavelmente. São capazes de mergulhar a mão no vaso sanitário, comer a ração do cachorro, sentir as emoções de escalar o armário ou de tomar um brinquedo das mãos de outra criança. Sem noção de higiene, perigo ou regras sociais, o céu é o limite para suas experiências. Na cabeça dos pais, fica a dúvida: até onde permitir que o pequeno vá?

Passar o dia escoltando o bebê pode limitar o aprendizado e a busca por autonomia. Por outro lado, fazer-se de ausente e deixá-lo totalmente livre gera insegurança. Educar uma criança é um longo e constante exercício de sinalizar "sim" ou "não" para as suas atitudes e reações, e muitos pais, depois de um dia exaustivo, relaxam na missão de colocar limites claros para os filhos. Mas o dever de estabelecer os comportamentos que são ou não aceitáveis vai muito além da disciplina e é importante desde o nascimento.




Fonte: Educar para Crescer

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Esporte na Educação Física escolar e sua importância na sociabilização

Foto: Alunos do Projeto Esporte e Educação: Essa é a Nossa Praia 
Introdução


    Trabalhar o tema “Educação Física e Esporte” é o objetivo deste ensaio científico que é embasado em autores que tratam o assunto de distintos pontos de vista, somados a isto algumas experiências. Dentro desta linha, onde abrange um leque de opções de assuntos a ser desenvolvido, o norte desta reflexão é o segmento voltado ao esporte enquanto meio para sociabilização e formação do caráter do indivíduo, começando no ambiente escolar e expandindo ao mundo em que vive e se relaciona. (Tubino, 1993) O homem busca o equilíbrio e harmonia da dualidade corpo e mente, na ajuda desta busca pela formação do ser humano melhor, conseqüentemente uma sociedade mais justa.

       O esporte possui vários focos, que em sua grande maioria são imperceptíveis. Através dele podem ser vislumbradas diversas possibilidades de sociabilização, onde se pode citar saúde, respeito entre companheiros e adversários, observância das regras, entre outros.

        Falar de Esporte é falar de algo muito maior do que competições. A importância que este tem dentro da sociedade em diversas áreas é imensa e vai muito além de uma olimpíada e atletas consagrados. É um importante veículo para educação, movimenta a economia, quebra barreiras geográficas e étnicas, torna corpo e mente mais saudáveis e a maior relevância entre os povos: o respeito. O esporte traz consigo um verdadeiro milagre que tem em seu envolto e pode unir a humanidade (NEUENFELDT 2008).

        (Mattos, 2006) O esporte traz a capacidade de trabalhar várias das habilidades dos alunos ao mesmo tempo. A possibilidade de interações sociais que a aula de Educação Física tem é única, sendo que muitas vezes é nesta disciplina escolar que a criança tem a oportunidade de relacionar-se com as mais variadas formas de comunicação, como linguagem motora, modelos, respeito e cognitivo.

     A intenção deste estudo visa demonstrar a infinita importância que a Educação Física juntamente com o Esporte tem para elevar as mais diversas formas de sociabilização. Busca-se aqui, a partir do professor como modelo, preconizando a saúde mental e o desenvolvimento saudável.

    As crianças têm nos adultos os seus principais modelos a serem seguidos, a partir disto o professor também se torna um deles, logo as atitudes destes perante elas, são fundamentais para as suas ações e seu desenvolvimento.
Esporte

    Esporte e Educação física estão intimamente ligados. A escola, muitas vezes é o local onde a criança tem o primeiro contato com o esporte, por isso devemos atentar para que as aulas de Educação Física tenham o maior proveito possível do esporte e trazer todos os benefícios que este pode representar para a formação física, mental e do caráter do cidadão.

    (Tubino, 1993) A busca do homem por um equilíbrio completo é explícita na famosa frase “mente sã, corpo são”, onde a dicotomia de corpo e mente anda junto e a paz harmoniosa entre eles traduz esse tão sonhado equilíbrio.
    Em geral se consideram esportes as atividades de recreio ou competitivas que exigem certa dose de esforço físico ou de habilidade. Podem ser individuais ou coletivos. No passado só eram considerados esportes as atividades recreativas praticadas livremente, como a pesca e a caça, em contraposição aos jogos, competições atléticas organizadas de acordo com regras determinadas. A distinção entre esportes e jogos hoje é menos clara, e com freqüência os dois termos são usados de forma indistinta.

    O principal objetivo sempre foi converter atributos físicos nas mais variadas formas de expressão corporal, como força, agilidade, flexibilidade, velocidade, etc. Além disso, também fomenta outras qualidades como respeito, coragem, disciplina, persistência.

    Segundo o autor o tema esporte tem origem no século XIV, onde os marinheiros usavam expressões “fazer esporte” com intuito de passar o tempo utilizando habilidades físicas.

    O esporte surpreende pela rapidez e amplitude de sua progressão, que se impõe pela atração que desperta, incita a ação, competição, superação de esforço, e que deste modo, favorece o enriquecimento pessoal, além de ser um extraordinário meio de expressão que revela os limites de cada um (FERREIRA, 2001).

    Atingindo de forma instantânea o esporte é cativante, desperta nos homens sua necessidade de competir, superar obstáculos, que faz pensar sobre questões antropológicas. Observando em nossas práticas o aluno praticante de esporte, nota-se que é o fundamento pelo qual suas características de ser humano se colocam a prova.

    Todos os esportes implicam uma atividade física. Como formas de interação social, exibição de força física e divertimento, os esportes surgiram com as civilizações. Culturas antigas como a egípcia e a chinesa já conheciam alguns esportes, mas essas atividades alcançaram seu desenvolvimento máximo na Grécia (TUBINO, 1993).

    Na Grécia o esporte era bem difundido, os mais famosos eram os Jogos Olímpicos realizados em Olímpia. Disputados de quatro em quatro anos, os jogos tinham extrema importância para a vida do país. Luta, corridas, lançamento de disco e dardo e salto em distância eram as modalidades praticadas. Nesta época a presença feminina era proibida, até mesmo como espectadoras.

    Um divisor de águas na história esportiva foi o surgimento da bola. Algumas civilizações a tinham como hábito em suas práticas. As primeiras bolas eram apenas bexigas de ar e com o passar do tempo foi sendo aperfeiçoada. Para gregos e romanos o esporte tinha conotação antagônica. Os primeiros visavam antes de tudo a competição, os s segundos objetivavam o entretenimento (TUBINO, 1993).

    A principal característica deste tempo foi a notória diferenciação entre as atividades das classes sociais. Nobres desenvolviam-se para aptidões guerreiras em torneios e combates, juntamente com caça e equitação. O povo voltava-se às práticas de jogos com bola (TUBINO, 1993).

    O esporte cresce infindavelmente e cada vez mais as pessoas buscam atividades físicas. Estes fatores trazem ao esporte uma crescente importância vinda desde seu surgimento até os dias atuais. Em 1896 renasce os Jogos Olímpicos através do barão Pierre de Coubertin, e também traz a máxima "o importante não é vencer, mas competir" (TUBINO, 1997). 

    No Brasil o esporte com maior popularidade é sem dúvida o futebol. Mundialmente entre os mais praticados estão são: basquetebol, voleibol, handebol, judô e tênis.

    O esporte está presente no nosso cotidiano através dos mais variados veículos de comunicação, tais como jornais, revistas, televisão, rádio, entre outros, e esta mídia que contribui para cada vez mais nos aproximar deste fenômeno.
    A importância que o esporte tem desde o século XX, é a influência que ele exerce na vida das pessoas a cada dia, não somente nos praticantes, mas também no grande número de curiosos que acompanham suas mudanças e seus principais fatos. Não podemos considerá-lo apenas como mais uma prática de saúde, de competição, movimentos. O esporte ramifica-se para outras diversas importantes áreas de nossa sociedade, tais como saúde, educação, economia, turismo, etc. Ele movimenta milhões de dólares em todo mundo e hoje existe até uma ciência do esporte, ganhando conotação cientifica (TUBINO, 1993).


Educação Física escolar

    Observando ao longo do estudo entendemos a importância do Esporte nos segmentos da sociedade, sendo este um fenômeno recriado e reforçado a cada dia em todo o mundo. Pode-se perguntar então qual o papel deste para o ambiente escolar, ou melhor, dentro da Educação Física escolar?

    A resposta que até agora nos parece mais aceita e verdadeira é que são muitas as respostas. Procurando já em uma concepção do que se espera da aula de Educação Física Escolar encontramos sociabilização, desenvolvimento motor, conhecimento corporal (corporalidade), respeito, entre outros muitos.

    O professor de educação na escola, no trato com o fenômeno Esporte no ambiente escolar, não deve ater-se apenas aos conteúdos relacionados à técnica e tática de diferentes modalidades; mais que isso, cabe a ele contribuir para a formação do cidadão (GALATTI e PAES, 2006). Mais uma vez se traz o esporte como um fenômeno dentro da sala de aula, os autores representam em seu trabalho os fundamentos pedagógicos do esporte no cenário escolar. Tratar deste importante meio de sociabilização dentro da escola com um olhar crítico é bastante necessário, visualizar na educação física escolar um momento de múltiplas comunicações.

    (Mattos, 2006) O esporte quando trabalhamos nas escolas podemos introduzir juntamente com a questão técnica de jogo propriamente dita essas outras capacidades.

    O esporte é ainda importante, pois trabalha atraindo os alunos para algo que eles, através da mídia, têm por gosto. Podem-se trabalhar valências físicas e até psíquicas dentro de exercícios independentes, por exemplo, mas sabe-se que trazendo elementos de um Esporte consegue atrair os alunos para a aula.

    O esporte é sem duvidas o elemento principal que um professor tem para utilizar na sua aula, levando em consideração a maneira com que prática e como a atividade se desenrola podem-se fazer adaptações buscando a eficiência. Os jogos também entram neste campo como atividades que propiciam o envolvimento mútuo, existem os jogos cooperativos que trazem ao aluno momentos de contato com o próximo.

    Cabe ao professor, segundo nossa experiência prática, atentar aos modelos que seguem no esporte, fazer intervenções é fundamental para administrar o melhor rendimento esperado (objetivo da aula).

    E como cada objetivo é distinto dentro da aula, também são distintos os esportes e aquilo que eles buscam, através de esporte podemos trabalhar motricidade fina, força, lateralidade, resistência, atenção, procurando o melhor para aquele momento. Ainda existe a possibilidade de se adaptar regras e modificar fundamentos de um esporte a fim de torná-lo mais útil para a aula.

    O professor de esportes deve ser visto como um educador e não como um mero transmissor de conhecimentos técnicos ou táticos. Sua ação deve ser baseada princípios críticos, pedagógicos e científicos para o desenvolvimento integral da criança (FERREIRA, 2001). Então a educação física escolar deve ser entendida como um momento imprescindível para o desenvolvimento psicomotor da criança e o esporte é a ferramenta que o professor de Educação Física tem em mãos para ser um diferencial no ambiente escolar.


Educação Física como forma de sociabilização

    O aprendizado da criança começa muito antes de ela frequentar a escola. Qualquer situação de aprendizado com a qual a criança se defronta na escola tem sempre uma história prévia (VYGOTSKY, 1984).

    Levando em consideração o autor devemos sempre entender que crianças vêm para a sala de aula já com bagagem cultural muito rica proveniente de seu berço familiar, muito do que se reflete na escola já tem histórico dentro das casas, entre estas a sociabilização, a sua relação interpessoal.

    A socialização significa o processo de transmissão dos comportamentos socialmente esperados. Mais especificamente, a socialização para o desempenho de determinado papel social envolve a aquisição de capacidades (habilidades) físicas e sociais, valores, conhecimentos, atitudes, normas e disposições que podem ser aprendidas em uma ou mais instituições sociais, como por exemplo, a família, a escola, o esporte, e ainda através dos meios de comunicação. A necessidade de ocupar-se com a questão da sociabilização e da aprendizagem social numa perspectiva didática da educação física resulta, por um lado, da análise da realidade social do esporte, como um campo no qual as relações e ações sociais são de importância central; por outro lado, os problemas diários do professor de educação física obrigam a considerar com mais profundidade as relações sociais oferecidas ou influenciadas pela educação física e, dependendo do caso, a procurar modificá-las.

    A inclusão e início de programas de esportes na escola têm sido frequentemente baseados na crença comum de que a participação no esporte é um elemento de socialização que contribui para o desenvolvimento mental e social (LOY et al. 1978 apud BRACHT, 1997, p. 75); e FARINATTI (1995, p. 44) complementa afirmando que a prática fisico-desportiva proporciona à criança muitas oportunidades de contato social, na medida de seu amadurecimento psíquico.

    Os autores comentam sobre um ponto que merece destaque, o esporte possibilita participação e é esta participação que faz dele um fator extremamente importante na relação inter-pessoal. Atrevo dizer que é na aula de Educação Física (jogo, esporte) o único momento de seu dia que a criança tem para reproduzir cultura juntamente com os seus. Estar participando de algo que envolve: linguagem, expressão e contato.

    Muitos pedagogos da Educação Física/Esporte vêm realçando a contribuição da atividade esportiva na socialização das crianças, contribuição essa que tem sido utilizada como justificativa para a inclusão da Educação Física nos currículos escolares. Neste sentido, as muitas considerações tecidas, indicam que a criança através do esporte aprende que entre ela e o mundo existem “os outros”, que para a convivência social precisamos obedecer a determinadas regras, ter determinado comportamento (OBERTEUFER/ULRICH, 1977 apud BRACHT, 1997, p.58); aprendem as crianças, também, a conviver com vitórias e derrotas, aprendem a vencer através do esforço pessoal; desenvolvem através do esporte a independência e a confiança em si mesmos, o sentido de responsabilidade, entre outras questões.

    Interagir é fundamental, nossas crianças realizam pouco ou quase nenhum movimento de atividade corporal. Trabalhar o corpo é trabalhar uma das mais importantes formas de linguagem.

    Linguagem corporal é capaz de dizer verdades que a fala esconde(WEIL, 2004). Levando esta afirmação do Best seller “o corpo fala”, sabemos mais ainda da importância de se introduzir atividades esportivas que permitam um contato, o toque que por vezes é recriminado e abolido das aulas é fundamental para um desenvolvimento saudável.
    Todas estas afirmações têm em comum o fato de serem afirmações que identificam um papel positivo-funcional para o esporte no processo educativo; privilegiam os aspectos positivos funcionais camuflando, desta forma, os disfuncionais.


Influencias do esporte

    O esporte cativa, envolve e aproxima as pessoas, pois possui uma “magia” que gira em torno de si (NEUENFELDT 2008).

    Trabalhar em cima desta magia que o autor descreve é trabalhar com algo apaixonante para a realidade dos alunos, deve-se sempre contornar conflitos visando aulas em que o esporte possa ser tratado de maneira respeitosa, porém sabendo fazer de momentos de conflitos interessantes para se passar valores de cordialidade.

    Há de se cuidar sempre a maneira com que oferecemos as atividades de educação física para nossos alunos, pois a mesma atividade que para alguns oportuniza momentos de crescimento, para outros é momento de exclusão e desapego as práticas esportivas, levando então a não sociabilização. O mesmo esporte que atrai a tantos também exclui, pois nem todos tiveram boas aprendizagens e convivências por seu intermédio (NEUENFELDT, 2008).

    O esporte não deve reproduzir valores de seriedade, mas ser fonte de alegria e diversão, uma atividade cujo único valor seja o prazer momentâneo de jogar e conviver com outras pessoas (NEUENFELDT, 2008). Outra vez o autor que é norte para essa temática cita o esporte como forma de trabalhar a relação interpessoal, não é na escola que vamos encontrar futuros prodígios ou grandes atletas, mas na escola através do esporte e de atividades lúdicas estaremos aproximando seres humanos. O que com certeza é muito mais importante para nossa sociedade do que futuros medalhistas olímpicos.


Conclusão

    Finalizando este estudo teórico, revisão de literatura com base nas experiências vivenciadas nos estágios, sobre as influências que o esporte exerce na Educação Física Escolar em nível de sociabilização, constatamos diversas áreas em que pode ser melhorado o contexto das aulas.

    Foi a partir deste estudo que observamos que não estamos sozinhos nestes pensamentos, são muitos os autores que acreditam em uma Educação Física de melhor qualidade sendo trabalhada com esportes de maneira otimizada com a sociabilização e suas diferentes formas.

    Ao longo de mais de duzentas horas de estágio obrigatório e estudando afundo autores durante quase um ano, temos a certeza de que o esporte é atividade principal dentro da aula de Educação Física escolar. Esta é uma máxima inegável, não se pode discutir em cima deste ponto, e observando e estudando temos a certeza também de que este é um projeto que tem muita chance de eficácia dentro da sala de aula, levar o esporte como um meio de sociabilização e observar mudanças comportamentais nos alunos pode vir a ser uma pesquisa relevante.

    Muito importante, também, é aproveitar os momentos de vivências das aulas como momento se sociabilização, e isto ao final da pesquisa entendemos de máxima necessidade. Fazer da disciplina que trabalhamos uma oportunidade de que os alunos enlacem suas vidas, estipulem metas, reflitam sobre acontecimentos, etc. Isto sim é sociabilização dentro de uma aula de Educação Física.

    E terminando o trabalho entendemos que alcançamos os propósitos enunciados na nossa introdução que eram de fazer uma pesquisa pró-discente e trazer elementos indispensáveis para uma formação profissional que contemple estruturar o esporte como um recurso fantástico para a interação social, o ato de fazer cultura, ato única e exclusivamente associado ao ser humano.


Referências

  • FERREIRA, H. B. Iniciação Esportiva: Uma abordagem pedagógica sobre o processo de ensino-aprendizagem no basquetebol. Campinas SP, 2001.
  • GALATTI, L. R. e PAES, R. R. Fundamentos da pedagogia do esporte no cenário escolar. Revista Movimento e Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 6, n. 9, jul/dez, 2006.
  • MATTOS, M. G. Educação Física Infantil: Construindo o Movimento na Escola. São Paulo, SP: Phorte Editora, 2006.
  • NEUENFELDT, D. J. Esporte, Educação Física e Formação Profissional. Lajeado, RS: Editora Univates, 2008.
  • STIGGER, M. P. Educação Física, esporte e diversidade. São Paulo, SP: Autores Associados Editora, 2005.
  • TUBINO, M. J. G. O Esporte no Brasil. São Paulo, SP: Ibrasa Editora, 1997.
  • TUBINO, M. J. G. O que é Esporte? São Paulo, SP: Ibrasa Editora, 1993.
  • VYGOTSKY, L. S. Formação Social da Mente. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1984.






    Fonte: efdeesporte.com