Seleção Pública de Projetos Esportivos Educacionais

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Programa Esporte e Cidadania: Essa é a Nossa Praia realiza festa junina

O Programa Esporte e Cidadania: Essa é a Nossa Praia, com patrocínio da Petrobrás, promoverá, na próxima sexta-feira (05/07), a partir das 18h, a festa junina para as crianças. O evento será realizado na sede do projeto, que fica na Avenida João Lopes Meireles, 315 - Centro - ao lado da CAGECE.
A descontração da festa ficará por conta da apresentação das quadrilhas juninas Poço Doce e Conjunto Nova Esperança. Haverá ainda muito forró pé de serra, comidas típicas, prendas e várias outras brincadeiras.
A atividade é mais uma forma do Programa Esporte e Cidadania levar cultura e a educação para esta região, além de proporcionar uma maior qualidade de vida para as crianças e os adolescentes de Paracuru, gerando muitas oportunidades para o futuro da cidade.
Podem participar da festa crianças e adolescentes que estudam em escolas públicas de Paracuru.

Mais informações podem ser adquiridas pelo telefone: 3485-2906

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Brincar na infância e o futebol

1 - A importância do brincar
Brincar é um comportamento inútil e ancestral na vida do homem, e por isso, muito importante no desenvolvimento humano. Todos os animais que têm uma infância prolongada (como é o caso da vida humana) têm necessidade de investir muito tempo de jogo livre durante a infância, ou seja, como uma ferramenta de aprendizagem e adaptação em situações inesperadas e imprevisíveis de natureza motora, social e emocional. Por isso torna-se fundamental que as crianças possam vivenciar atividades motoras de exploração (espontâneas) que promovam o jogo simbólico (faz de conta), o jogo social (relação com amigos) e o jogo de atividade física (corrida, fuga, perseguição, luta etc.). O contato com a natureza e a capacidade de confronto com o risco é uma competência fundamental na estruturação de uma cultura lúdica infantil.

2 - Para que serve a brincadeira
A investigação científica tem vindo a demonstrar que o comportamento lúdico durante os primeiros anos de vida tem muitas vantagens no desenvolvimento humano: na estrututação do cérebro e respectivos mecanismos neurais; na evolução da linguagem e literacia, na capacidade de adaptação física e motora; na estruturação cognitiva e resolução de problemas; nos processos de sociabilização e finalmente na construção da imagem de si próprio, capacidade criativa e controle emocional.
Brincar é adaptar-se a situações imprivisíveis, através de ações diversas na utilização do corpo em espaços físicos e na relação com os outros. Brincar em casa, na escola, na rua, etc. é um investimento garantido de saúde física e mental na vida adulta.
3 - O que mudou na vida das crianças?
As condições de vida social das crianças mudaram de forma radical nas últimas décadas. A falta de espaços livres na cidade, o desaparecimento da rua como local de jogo, a super proteção dos pais, a diminuição da margem de risco e a falta de tempo livre nas agendas de vida cotidiana das crianças, o controle desesperado, por vezes patológico, das suas energias em atividades estruturadas (formatadas), têm vindo a criar um progressivo sedentarismo e um analfabetismo motor nas culturas de infância nas sociedades modernas. Uma criança que não brinque de forma regular e sem constrangimentos em espaços, amigos e materiais não é uma criança saudável.
As crianças continuam a brincar como sempre o fizeram ao longo da história da humanidade. Hoje brincam é de maneira diferente. As novas tecnologias e os cenários de espaços virtuais são muito sedutores para atividades centralizadas na paisagem do uso visual e manual. No entanto as necessidades de adaptação biológica e social continuam as mesmas na vida do homem.
As crianças e jovens dos nossos dias estão sujeitos a estilos de vida muito diferentes do passado, nomeadamente na capacidade de construção adequada de reportórios lúdicos e motores, devido a uma diminuição progressiva de indepedência de mobilidade corporal e um aumento progressivo de constrangimentos sociais.
4 - O significado da prática do futebol na infância
O comportamento lúdico tem uma dimensão ancestral independente da cultura ou da situação geográfica. O brincar vive-se, experimenta-se e dificilmente se explica. A magia do jogo percorre todas as idades com situações e significados diferentes. Os pais brincam com os filhos e as crianças brincam entre si através de processos de transmissão de geração em geração.
A vida do homem explica-se pela criança que foi e pela qualidade e oportunidades de jogo que viveu. A procura do desconhecido e da imprevisibilidade é um risco que vale a pena jogar seja no plano físico, simbólico ou social. A prática do futebol na infâcia é uma realidade social e cultural. As crianças gostam do jogar futebol (na escola, no clube, em casa, etc.) porque faz parte integrante do seu contexto cultural. Através de prática espontânea ou organizada, as crianças vão aprendendo a dominar habilidades motoras fundamentais com bola, a desenvolverem a sua capacidade perceptiva e tomada de decisões adequadas e a percepcionarem dinâmicas coletivas que são fundamentais para o aperfeiçoamento de um reportório motor adequado ao sucesso desta prática desportiva.
5 - As fases de aprendizagem no futebol infantil
A formação das crinças e jovens no futebol deverá seguir um modelo desenvolvimentista, isto é, centrado nas características de cada criança. As primeiras etapas são caracterizadas por uma abordagem exploratória, de jogo livre ou semi-estruturado de modo a assegurar a assimilação inteligente de estruturas motoras simples (habilidades motoras básicas) e descoberta das dinâmicas percepticas e sociais mais simples (fase de estimulação motora). Depois deverão ser experienciadas sequências mais complexas de jogo através de habilidades motoras de transição, de modo a dotar as crianças de um afinamento do seu reportório motor no futebol e a formação de uma cultura mais consistente de compreensão do jogo (fase de aprendizagem motora).
A terceira fase centra-se na consolidação de esquematizações motoras já aprendidas, através da prática do jogo, acompanhando o desenvolvimento da criança em todas as suas dimensões (motora, cognitiva, social e emocional). Nesta fase é muito importante aperfeiçoar elementos fundamentais e estruturantes da formação motora (ajustamento postural, lateralidade, equilíbrio, coordenação motora, percepção espacial e temporal, esforço físico e relação sóciomotora). É uma fase crucial de sedimentar comportamentos motores consolidados (fase de prática motora).
Quando for possível, pode, então, iniciar-se um período de afinamento das habilidades motoras específicas (técnicas consistentes) e elementos táticos de jogo (capacidade decisional) tendo em vista o aparecimento de um rendimento adequado ao sucesso desportivo (fase de especialização motora). Cada treinador terá uma observação sistemática e periódica das suas crianças, optando pelo desenvolvimento das fases adequadas de especialização motora.
6 - O Comportamento Parental
Existem seguramente muitos agentes de sociabilização influentes no processo de formação desportiva de crianças e jovens. É um processo complexo. No entanto, o comportamento dos pais tem uma importância decisiva no acompanhamento da formação desportiva dos seus filhos. Existem por vezes comportamentos inapropriados dos pais que interferem na estabilidade formativa das crianças e muitas vezes no trabalho quotidiano dos técnicos de futebol. Esta situação merece um destaque especial no estudo de caracterização de diversas posturas e comportamentos parentais.
Do nosso ponto de vista deverá ser dada uma maior atenção na formação dos pais quanto aos objetivos da formação do futebol na infância. Existem diversos perfis de comportamento parental (de pais desinteressados a pais fanáticos), que implicam estratégias de abordagem sobre esclarecimentos fundamentais do trabalho desenvolvido na formação no futebol infantil/juvenil. Caberá às instituições responsáveis definir as melhores formas de esclarecimento e formação sobre o futebol infantil, assegurando os direitos fundamentais das crianças sobre a prática desportiva.
7 – Conclusão
O artº 31 da Declaração Internacional dos Direitos da Criança (ONU) identifica o direito da criança ao jogo, ao tempo livre e à prática do desporto. Este direito fundamental da criança, quando equacionado na aprendizagem e prática do futebol, implica algumas considerações adicionais.
Deste modo, crianças deveriam ter o direito a:
1 - Expressar a sua individualidade;
2 - Serem tratadas como crianças /jovens;
3 - Participar independentemente do seu nível de habilidade;
4 - Jogar ou competir com os seus opositores em função de valores éticos fundamentais (Fair-Play);
5 - Decidir no qual ou quais desportos deseja participar;
6 - Participar na organização de programas desportivos (ser actor);
7 - Parar a atividade quando entender;
8 - Saber que o fracasso no desporto não é o fracasso da vida;
9 - Ter um treinador que seja competente nos planos pedagógico, técnico e científico;
10 - Condições de treino e competição adaptados à sua condição;
11- Exame e tratamento médico competente;
12 - Facilidades de espaços e equipamentos;
13 - Correto acompanhamento parental.
No caso do futebol infantil, necessitamos melhorar a formação de especialistas, adotar melhores estratégias de ensino-aprendizagem, produzir mais investigação e material técnico e pedagógico, definir modelos mais robustos de gestão e organização, apoiar a formação dos dirigentes, pais e outros agentes ligados à modalidade e melhorar a coerência entre tempo livre, escolar e desportivo na vida diária das crianças e jovens. 
Fonte: Site Universidade do Futebol

terça-feira, 25 de junho de 2013

Prática de esportes desperta na criança o sentimento de cidadania

A prática de esportes sempre foi recomendada. Uma atividade esportiva deve ser praticada por pessoas de todas as idades, das mais jovens aos mais idosos.
Contudo, com a onda dos computadores e jogos eletrônicos, muitas crianças estão deixando as atividades físicas de lado para ficarem horas sentadas na frente da TV ou jogando, algo que não é nada saudável.
Por isso, confira 10 motivos porque uma criança deve praticar esporte.
1 – MELHORA O CORPO E A MENTE
Com a prática esportiva, a criança desenvolve a parte motora, ganha agilidade, amplia seus movimentos (noção de lateralidade, direção, espaço e tempo) e habilidades como correr, driblar, arremessar e rebater. 
Também cria condicionamento físico, que aumenta sua capacidade cardiovascular, muscular (força e resistência) e respiratória. 
O esporte ainda estimula o raciocínio e melhora as relações afetivas, da criança com seu próprio corpo e com as outras crianças.
2 – PREVINE A OBESIDADE 
Nos últimos dez anos, dobrou o número de crianças e adolescentes com problemas de peso. 
De 8% a 10% deles são considerados obesos, com 60% de probabilidade de continuarem obesos na fase adulta. 
No adulto, o problema leva a outros males, como diabetes, pressão alta, colesterol e etc. 
O organismo atinge seu auge de funcionamento entre 20 e 25 anos. A partir dos 30 anos, a queima de gordura fica mais difícil, perde-se flexibilidade e massa muscular. A atividade física retarda o processo.
3 – CRIA BONS HÁBITOS
O esporte tira a criança da TV, do videogame e do computador e ainda ajuda a queimar as calorias pouco nutritivas dos adorados fast-foods. 
Quanto mais precoce o contato com as atividades físicas, melhor. Por não ter ainda hábitos consolidados, a criança está mais aberta a mudanças de rotina. E melhor ainda se ela gostar do esporte oferecido. Quer melhorar seu desempenho por conta própria, o que terá reflexos na alimentação, no sono e na disposição durante o dia.
4 – ATIVA O CRESCIMENTO
A atividade física hoje é essencial para a qualidade de vida em qualquer idade, ajudando a ter um crescimento saudável. Lembrando que a atividade mais adequada é aquela que a própria criança gosta de fazer. 
Muitas vezes o que acontece é que os pais forçam os filhos a fazerem atividades que eles gostariam que o filho fizesse e não o que o filho realmente gosta de fazer. 
Todas as atividades trazem benefícios desde que praticadas adequadamente e orientadas por profissionais de Educação Física capacitados, sempre respeitando a individualidade biológica de cada criança, características da faixa etária, frequência, duração e continuidade das atividades.
5 – EXERCITA A CRIATIVIDADE
No início, o esporte deve ter foco lúdico e formativo, uma vez que é por meio das brincadeiras e das mais variadas vivências corporais que a criança começa a inventar sua maneira de jogar, criando suas próprias regras. Surgem aí muitos jogos simbólicos, ótimos para estimular a imaginação. 
Como a atividade envolve mais crianças, com fantasias diferentes, pode resultar numa produção cultural, com coreografias e estratégias diversas. 
Essa variedade implica arriscar, experimentar, ver o que dá certo ou errado. 
As conquistas estimulam as crianças a buscarem mais desafios, tornando as atividades mais complexas (formativas e esportivas) com o passar da idade, incluindo regras e fundamentos específicos exigidos por cada modalidade, respeitando o amadurecimento da criança sempre.
6 – APRENDE A DECIDIR
No esporte a criança trabalha a tomada de decisão, isto se aplica ao ser escolhido para o time ou pensar na melhor forma de jogar. 
Durante as atividades eles aprendem a decidir e também a observar qualidades e dificuldades próprias e nos colegas. Percebe e aceita as diferenças. 
O adulto que acompanha a atividade aponta aspectos importantes para que a tomada de decisão seja utilizado sempre o bom senso.
7 – ESTIMULA VALORES
No esporte, a criança testa suas limitações e descobre suas potencialidades. 
Percebe que tem de se esforçar para conquistar seus objetivos. Consegue enxergar as necessidades do outro e descobre a importância da cooperação. Faz com que ela perceba que a violência só acaba com o jogo. 
Com isso, ela aprende a respeitar o colega de equipe e o adversário, e a valorizar as regras de convivência.
8 – PRATICA O PERDE-E-GANHA
A competição é indicada a partir dos 12, 13 anos. O treinamento precoce e cobranças podem atrapalhar o rendimento. 
Na fase certa, a criança tem preparo físico para aguentar disputas acirradas e psicológicas para enfrentar as frustrações. 
Perder vai ser chato, mas também mostrara a ela que as vitórias dependem de vários fatores, como a disposição no dia, o esforço, a habilidade individual ou do time, dedicação nos treinos, onde vencer será também o resultado e consequência de tudo isso. 
O que será valorizado é o processo para chegar a um resultado. A premiação mais significativa deve vir de elogios da participação e o consolo mais útil na motivação para não desistir diante das dificuldades.
9 – DESPERTA O CIDADÃO
O esporte costuma oferecer contato com a natureza, despertando na criança o sentimento de cidadania. 
Ela aprende a valorizar o meio em que vive e aprende a preservá-lo. Isso é típico em esportes na água, com animais (hipismo), nas quadras de vôlei ou futebol de campo e na areia e também nos radicais, como o surf, escalada, rafting e trilhas.
10- CULTIVA O PRAZER
Os bons resultados ou a brincadeira no esporte alimentam o prazer. Por isso, é bom que a criança tenha acesso a várias modalidades. 
Ao escolher a criança provavelmente optará pelo que se acha mais capaz de fazer e se sentirá segura e com desenvoltura. 
Os pais, familiares e professores podem auxiliar na escolha com informações e também ressaltando as respostas positivas que ele obteve com esta ou aquela atividade.
A atividade física é um meio de desenvolvimento global do ser humano nos seus aspectos: cognitivo, sócio-efetivo, psicomotor, onde o maior intuito é desenvolvimento, sociabilização e diversão por meio das mais variadas práticas esportivas para toda a família, no tempo que dispuserem e com segurança. 
Desde bebês, passando pela adolescência, alcançando a fase adulta, todos precisam de acompanhamento e treinamento direcionados às expectativas de cada um, respeitando os limites e características de cada faixa etária.

Fonte: Uniodonto

Pais de autistas buscam escola para desenvolvimento social dos filhos

Para 53% dos pais de crianças autistas, o principal motivo para levarem seus filhos à escola é o desenvolvimento social. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Apenas 18% acredita que a escola desenvolve a aprendizagem, a independência, a comunicação e o comportamento dessas crianças. 
No entanto, a contribuição positiva da escola para as crianças com espectro do autismo é quase unanimidade entre os seus cuidadores, chegando a 85%.
Este foco no desenvolvimento social é diferente da expectativa tradicional da educação e pode ser explicado por o espectro do autismo afetar principalmente a interação da criança com outras pessoas, segundo a definição da Classificação Internacional das Doenças, necessitando que o espaço escolar também auxilie neste processo.
A autora da pesquisa "Autismo e escola: perspectiva de pais e professores", a fonoaudióloga Ana Gabriela Lopes Pimentel, explica que "a falta de menção de resultados educacionais pode ser devido a um de dois fatores: ou o potencial educativo das crianças e adolescentes com autismo está sendo subestimado, ou os resultados escolares estão sendo ignorados pelas pessoas que devem compartilhar a responsabilidade por sua qualidade".

Maioria está na escola

Ana Gabriela iniciou os estudos em 2010 indagando-se sobre o processo de inserção escolar das crianças com espectro do autismo. Na primeira etapa, entrevistou individualmente 56 cuidadores de crianças com o diagnóstico do espectro do autismo enquanto seus filhos estavam na terapia fonoaudiológica.
A maioria dos pacientes era composta por meninos e a idade deles variou entre 3 e 16 anos.
Quantitativamente, a escolarização dos filhos destes entrevistados era grande — 54 crianças, o que corresponde a 96,4%. A opção pela educação regular foi feita por 85% dos cuidadores. Ana Gabriela também constatou que 100% das crianças cujos cuidadores afirmaram não ver benefícios na escolarização contavam apenas com um professor em sala de aula.

Educadores

Em geral, os educadores afirmaram ter o apoio da escola no processo de educação destas crianças, mas perceberam que falta respaldo tecnológico. O questionário aplicado a 51 professores, do ensino regular e especial, pedia para eles avaliassem a contribuição escolar para os alunos com autismo e a dificuldade que sentiam durante o processo de aprendizagem.
As áreas que os professores relataram ter mais dificuldade em seu trabalho diário em crianças com o diagnóstico do espectro do autismo foram a comunicação, a aprendizagem e o comportamento. Já a contribuição da escola e de seus trabalhos foi mais citada no desenvolvimento das áreas de comunicação e relações interpessoais destas crianças. Entre pedir informações e objetos, comentar fatos, interagir, focalizar o assunto e protestar, estes professores relataram que a maior dificuldade é em interagir.
Os profissionais também responderam, em sua maioria, que a agressão a si ou a outros colegas foi o comportamento menos observado durante os anos de trabalho com crianças autistas.
Fonte: UOL Educação

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Aniversário do Meio Ambiente

Junho é o mês do Meio Ambiente desde 1972, quando a ONU realizou a Conferência Ambiental de Estocolmo e definiu o dia 5 como Dia Mundial do Meio Ambiente. Vinte anos depois, a partir da Rio 92, junho também passou a abrigar o Dia Mundial dos Oceanos (8 de junho).
Duas décadas separam a criação dessas datas, embora o movimento de valorização ambiental seja contínuo. Neste sentido, os esforços da ONU são notáveis e lembram a todos a importância da preservação da natureza por meio de campanhas mobilizadoras anuais.
O êxito dessas iniciativas depende de uma mudança de comportamento e, a despeito dos avanços, a Rio+20 de 2012 deixou claro que os discursos continuam distantes das práticas. Isso se explica, mas não se resolve com facilidade. A mudança de comportamento implica persistência na educação, para adotarmos novos hábitos em casa e nos lugares que frequentamos. Além disso, há a grande ameaça das questões econômicas e disputas de poder que atingem todos os cantos do planeta.

Sucesso da reciclagem

A reciclagem é o melhor exemplo de comportamento favorável ao Meio Ambiente no Brasil. Ano a ano, crescem os índices de coleta e de reciclagem de resíduos. As latas de alumínio são campeãs de bilheteria. Praticamente todas as latas colocadas no mercado são recolhidas. Em 2010, os brasileiros coletaram 97,6% das latas pós-consumo. Em 2011, esse índice subiu para 98,3%.
Em 2010 foram reciclados 19,4% de resíduos plásticos pós-consumo. O índice de 2011 chegou a 21,7%. Isso corresponde a 1,077 milhão de toneladas de plástico (sem contar o PET), segundo a Plastivida Instituto Socioambiental dos Plásticos.
As garrafas PET não ficaram atrás. De acordo com a Abipet (Associação Brasileira da Indústria do PET), em 2011 foram recicladas 57,1% (294 mil toneladas) do total de embalagens PET descartadas. Em 2010, o percentual de reciclagem foi de 52,85% (282 mil toneladas).
Um próximo passo em defesa do Meio Ambiente tem a ver com o jeito de consumir e o de fabricar. Reutilizar o que for possível é o que se espera do consumidor, em substituição ao descarte indiscriminado. Muitas embalagens de plástico e de vidro poderiam ter vida longa no ambiente doméstico. Assim, pouparíamos mais água e energia para outros fins.
Com a logística reversa, espera-se que o fabricante recolha os equipamentos (principalmente os eletrônicos) pós-consumo, cuide da reciclagem e até reutilize componentes. Afinal, muitos dos eletrônicos em boas condições são descartados por modismo.

Casca de mexerica na calçada

Entre agosto de 2011 e julho de 2012, o desmatamento da Amazônia Legal teve o seu menor índice desde 1988. A área desmatada foi de 4.571 km², equivalente a três vezes o tamanho do Município de São Paulo.
Já na Mata Atlântica, 235 km² foram desmatados entre 2011 e 2012. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), esse foi o maior desmatamento registrado desde 2008 pela pesquisa do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
Ao final de maio, soubemos que a atmosfera registrou 400 ppm, ou seja 400 partículas de dióxido de carbono por um milhão. Isso significa um marco perigoso de saturação de gás carbônico na atmosfera, provocado por vários fatores. A queima excessiva de combustíveis fósseis (petróleo e seus derivados) é o principal deles.
Isso pode provocar alterações graves no clima mundial, como, por exemplo, temperaturas muito mais elevadas do que as que podemos suportar e aumento dos oceanos. O assunto é sério, mas como parece muito técnico e sem data certa para acontecer, poucos deram a devida atenção a ele.
Para finalizar, um registro. Em dia do Meio Ambiente, uma jovem deixava um rastro de cascas de mexerica (bergamota, tangerina, dependendo de onde o leitor estiver) pela calçada de uma rua movimentada de São Paulo. Se fosse num pedaço de terra, as cascas serviriam de adubo. Ao menos haveria um motivo para comemorar.
Autora: Lucila Cano (UOL Educação)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Atividade física e saúde na infância e adolescência

José Kawazoe Lazzoli; Antonio Claudio Lucas da Nóbrega; Tales de Carvalho; Marcos Aurélio Brazão de Oliveira; José Antônio Caldas Teixeira; Marcelo Bichels Leitão; Neiva Leite; Flavia Meyer; Felix Albuquerque Drummond; Marcelo Salazar da Veiga Pessoa; Luciano Rezende; Eduardo Henrique De Rose; Sergio Toledo Barbosa; João Ricardo Turra Magni; Ricardo Munir Nahas; Glaycon Michels; Victor Matsudo



Foto: Aula de Vôlei do Essa é a Nossa Praia

INTRODUÇÃO

Um estilo de vida ativo em adultos está associado a uma redução da incidência de várias doenças crônico-degenerativas bem como a uma redução da mortalidade cardiovascular e geral. Em crianças e adolescentes, um maior nível de atividade física contribui para melhorar o perfil lipídico e metabólico e reduzir a prevalência de obesidade. Ainda, é mais provável que uma criança fisicamente ativa se torne um adulto também ativo. Em conseqüência, do ponto de vista de saúde pública e medicina preventiva, promover a atividade física na infância e na adolescência significa estabelecer uma base sólida para a redução da prevalência do sedentarismo na idade adulta, contribuindo desta forma para uma melhor qualidade de vida. Nesse contexto, ressaltamos que a atividade física é qualquer movimento como resultado de contração muscular esquelética que aumente o gasto energético acima do repouso e não necessariamente a prática desportiva.
Este documento, elaborado por médicos especialistas em exercício e esporte, baseia-se em conceitos científicos e na experiência clínica, tendo como objetivos: 1) estabelecer os benefícios da atividade física na criança e no adolescente; 2) caracterizar os elementos de avaliação e prescrição do exercício para a saúde nessa faixa etária; 3) estimular a recomendação e a prática da atividade física nas crianças e adolescentes, mesmo na presença de doenças crônicas, visto que são raras as contra-indicações absolutas.



ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS

O avançar da idade é acompanhado de uma tendência a um declínio do gasto energético médio diário à custa de uma menor atividade física. Isso decorre basicamente de fatores comportamentais e sociais como o aumento dos compromissos estudantis e/ou profissionais. Alguns fatores contribuem para um estilo de vida menos ativo. A disponibilidade de tecnologia, o aumento da insegurança e a progressiva redução dos espaços livres nos centros urbanos (onde vive a maior parte das crianças brasileiras) reduzem as oportunidades de lazer e de uma vida fisicamente ativa, favorecendo atividades sedentárias, tais como: assistir a televisão, jogar video-games e utilizar computadores.
Existe associação entre sedentarismo, obesidade e dislipidemias e as crianças obesas provavelmente se tornarão adultos obesos. Dessa forma, criar o hábito de vida ativo na infância e na adolescência poderá reduzir a incidência de obesidade e doenças cardiovasculares na idade adulta. A atividade física também pode exercer outros efeitos benéficos a longo prazo, como aqueles relacionados ao aparelho locomotor. A atividade física intensa, principalmente quando envolve impacto, favorece um aumento da massa óssea na adolescência e poderá reduzir o risco de aparecimento de osteoporose em idades mais avançadas, principalmente em mulheres pós-menopausa.



FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO

Os princípios gerais que regem as respostas do organismo ao exercício e ao treinamento físico são os mesmos para crianças, adolescentes e adultos. Por outro lado, existem particularidades da fisiologia do esforço em crianças que decorrem tanto do aumento da massa corporal (crescimento) quanto da maturação, que se acelera durante a puberdade (desenvolvimento).
Em relação à potência aeróbica, ocorre um aumento do consumo máximo de oxigênio (VO2max) em termos absolutos ao longo da idade, com maior aceleração em meninos do que em meninas. Esse aumento do VO2max está intimamente relacionado ao aumento da massa muscular, de forma que se considerarmos o VO2max corrigido por indicadores de massa muscular, não existe aumento com a idade em crianças e adolescentes do sexo masculino (VO2max/kg peso corporal permanece constante), enquanto ocorre um declínio progressivo em meninas (diminuição do VO2max/kg peso corporal).
A potência anaeróbica aumenta em função da idade em proporção maior do que o aumento da massa muscular, evidenciando um efeito da maturação sobre o metabolismo anaeróbico. A potência anaeróbica não difere entre meninos e meninas pré-puberes, mas cresce proporcionalmente mais em meninos a partir da puberdade. Assim sendo, o aumento da potência anaeróbica deve-se tanto à maior massa muscular, quanto ao efeito da maturação hormonal sobre as características funcionais do músculo esquelético. Ainda, a capacidade de produzir lactato é menor na criança do que no adulto, sendo um dos motivos pelos quais ela se recupera mais rapidamente após exercícios de alta intensidade e curta duração, estando pronta para um novo exercício mais precocemente. Outra característica que se desenvolve com a maturação sexual é o potencial de tamponamento da acidose muscular, que aumenta com a idade, permitindo a realização de exercícios láticos mais intensos.
Existem características da termorregulação da criança que devem ser destacadas. A velocidade de troca de calor com o meio é maior nas crianças do que em adultos, uma vez que possuem maior superfície corporal por unidade de massa corporal. Assim sendo, não só a perda de calor em ambientes frios, mas também o ganho de calor em climas muito quentes são mais acelerados em crianças, aumentando o risco de complicações. Como agravamento, a criança tende a ter menos sede do que o adulto, levando mais facilmente a desidratação e conseqüente redução da volemia, com prejuízo do desempenho e do mecanismo de termorregulação.



AVALIAÇÃO PRÉ-PARTICIPAÇÃO

Do ponto de vista de saúde pública, as crianças e adolescentes aparentemente saudáveis podem participar de atividades de baixa e moderada intensidade, lúdicas e de lazer, sem a obrigatoriedade de uma avaliação pré-participação formal. É importante que algumas condições básicas de sáude – como uma nutrição adequada – estejam atendidas para que a atividade física seja implementada.
Quando o objetivo é a participação competitiva ou atividades de alta intensidade, uma avaliação médico-funcional mais ampla deve ser realizada, incluindo avaliação clínica, da composição corporal, testes de potência aeróbica e anaeróbica, entre outros. A avaliação pré-participação tem como objetivo básico assegurar uma relação risco/benefício favorável e deve considerar seus objetivos, a disponibilidade de infra-estrutura e de pessoal qualificado. O risco de complicações cardiovasculares na criança é extremamente baixo, exceto quando existem cardiopatias congênitas ou doenças agudas. A presença de algumas condições clínicas exige a adoção de recomendações especiais e devem ser identificadas e quantificadas, tais como a asma brônquica, a obesidade e o diabetes melito.
Do ponto de vista do aparelho locomotor, sabe-se que os ossos de uma criança ainda estão em formação em geral até o final da segunda década. As placas de crescimento são vulneráveis e lesões por traumatismos agudos e overuse. Dessa forma, devem ser identificadas características anatômicas e biomecânicas que possam facilitar a ocorrência dessas lesões.



PRESCRIÇÃO

O objetivo principal da prescrição de atividade física na criança e no adolescente é criar o hábito e o interesse pela atividade física, e não treinar visando desempenho. Dessa forma, deve-se priorizar a inclusão da atividade física no cotidiano e valorizar a educação física escolar que estimule a prática de atividade física para toda a vida, de forma agradável e prazerosa, integrando as crianças e não discriminando os menos aptos.
A competição desportiva pode trazer benefícios do ponto de vista educacional e de socialização, uma vez que proporciona experiências de atividade em equipe, colocando a criança frente a situações de vitória e derrota. Entretanto, o objetivo de desempenho, principalmente quando há excessivas cobranças por parte de pais e treinadores, pode trazer conseqüências indesejáveis, como a aversão à atividade física. Por essa razão, o componente lúdico deve prevalecer sobre o competitivo quando da prescrição de atividade física para as crianças. Igualmente importante é oferecer alternativas para a prática do desporto, de forma a contemplar os interesses individuais e o desenvolvimento de diferentes habilidades motoras, contribuindo para o despertar de talentos.
Um programa formal de atividade física deve treinar pelo menos três componentes: aeróbico, força muscular e flexibilidade, variando a ênfase em cada um de acordo com a condição clínica e os objetivos de cada criança. Quando o objetivo é o condicionamento aeróbico, a prescrição deve contemplar as variáveis tipo, duração, intensidade e freqüência semanal, obedecendo os princípios gerais de treinamento. O treinamento muscular deve ser realizado com cargas moderadas e maior número de repetições, valorizando o gesto motor, uma vez que este tipo de atividade contribui para o aumento da força muscular e massa óssea. O risco de lesões osteoarticulares em crianças que realizam trabalhos de sobrecarga muscular é na verdade menor do que o relacionado com esportes de contato, desde que seja realizado com cargas submáximas sob supervisão profissional adequada. Em relação à flexibilidade, seu treinamento deve envolver os principais movimentos articulares e ser realizado de forma lenta até o ponto de ligeiro desconforto e então mantidos por cerca de 10 a 20 segundos.



RECOMENDAÇÕES

A implementação da atividade física na infância e na adolescência deve ser considerada como prioridade em nossa sociedade. Dessa forma, recomendamos que:
1) Os profissionais da área de saúde devem combater o sedentarismo na infância e na adolescência, estimulando a prática regular do exercício físico no cotidiano e/ou de forma estruturada através de modalidades desportivas, mesmo na presença de doenças, visto que são raras as contra-indicações absolutas ao exercício físico;
2) Os profissionais envolvidos com crianças e adolescentes que praticam atividade física devem priorizar seus aspectos lúdicos sobre os de competição e evitar a prática em temperaturas extremas;
3) A educação física escolar bem aplicada deve ser considerada essencial e parte indissociável do processo global de educação das crianças e adolescentes;
4) Os governos, em seus diversos níveis, as entidades profissionais e científicas e os meios de comunicação devem considerar a atividade física na criança e no adolescente como uma questão de saúde pública, divulgando esse tipo de informação e implementando programas para a prática orientada de exercício físico.



REFERÊNCIAS RECOMENDADAS

1. American Academy of Pediatrics Committees on Sports Medicine and School Health. Physical fitness and the schools. Pediatrics 1987;80:449-50.         [ Links ]
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4. Chan K-M, Micheli LJ, editor. Sports and children. Hong Kong: Williams & Wilkins, 1998.         [ Links ]
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Documento aprovado em reunião realizada em 26/6/98 durante o 2º Congresso Sul-Brasileiro de Medicina Desportiva, Curitiba, PR.







Fonte: Scielo